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Servidores participam de acolhimento e roda de conversa sobre saúde mental

11 de set.
6 min de leitura

Cuidar da saúde mental também passa por criar espaços de escuta, pausa e acolhimento dentro da rotina de trabalho. Foi com esse propósito que servidores municipais participaram, na manhã desta sexta-feira (11), de um encontro voltado à reflexão e ao cuidado emocional no Paço Municipal.


A atividade reuniu trabalhadores em um momento de acolhimento, com café da manhã e música ao vivo, seguido de uma roda de conversa com o tema “Cuidar de quem cuida”. A ação foi conduzida pelo psiquiatra Tauê Brandão e pela psicóloga e arteterapeuta Camila Pinho.


Promovida pela Secretaria de Saúde, a iniciativa integra a programação do Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a valorização da vida. Mais do que uma ação pontual, o encontro também reforçou a importância das estratégias de cuidado desenvolvidas ao longo do ano pela Rede de Atenção Psicossocial, a RAPS.


Um espaço de escuta para quem cuida da população


A rotina de muitos servidores públicos envolve atendimento direto à população, tomada de decisões, contato com situações sensíveis e responsabilidade constante. Na área da saúde, da assistência, da educação, da segurança, da gestão pública e de tantos outros setores, o trabalho costuma exigir presença, paciência e equilíbrio emocional.


Por isso, o tema escolhido para a roda de conversa, “Cuidar de quem cuida”, dialoga diretamente com a realidade desses profissionais. A proposta foi abrir um espaço seguro para falar sobre saúde mental, reconhecer sinais de sofrimento e lembrar que o cuidado não deve estar voltado apenas ao outro.


Durante o encontro, os servidores puderam vivenciar um momento diferente da rotina habitual. O café da manhã com música ao vivo ajudou a criar um ambiente mais leve e acolhedor, favorecendo a aproximação entre os participantes antes da conversa conduzida pelos profissionais convidados.


A presença do psiquiatra Tauê Brandão e da psicóloga e arteterapeuta Camila Pinho deu à roda um caráter técnico e humano ao mesmo tempo. A saúde mental foi tratada de forma acessível, com espaço para reflexão, orientação e partilha.


Esse tipo de atividade contribui para reduzir barreiras. Muitas pessoas ainda sentem dificuldade para falar sobre sofrimento emocional, estresse, ansiedade, exaustão ou tristeza persistente. Quando o tema entra em pauta de forma respeitosa e coletiva, a conversa deixa de ser vista como sinal de fraqueza e passa a ser reconhecida como parte essencial do cuidado com a vida.


Setembro Amarelo reforça a prevenção e o acesso à informação


O Setembro Amarelo é um período de mobilização sobre a prevenção do suicídio e o cuidado com a saúde mental. A campanha busca ampliar o acesso à informação, combater estigmas e incentivar que pessoas em sofrimento procurem ajuda.


Segundo Cristina Lopes, coordenadora do Ambulatório de Saúde Mental do Município, a ação realizada no Paço Municipal faz parte da programação do mês e fortalece iniciativas que já são desenvolvidas durante todo o ano pela Rede de Atenção Psicossocial.


A coordenadora destacou que o encontro teve como objetivo promover a reflexão sobre a importância de cuidar da própria saúde mental, especialmente entre os profissionais que estão diariamente à frente do cuidado com a população.


Essa abordagem é importante porque a prevenção não se limita a datas específicas. O Setembro Amarelo amplia a visibilidade do tema, mas o cuidado precisa continuar depois que a campanha termina. Serviços de escuta, acompanhamento, orientação e acolhimento devem estar disponíveis de forma permanente, dentro das possibilidades da rede pública.


Falar sobre saúde mental durante o mês de setembro também ajuda a lembrar que sofrimento psíquico pode atingir qualquer pessoa. Não se trata apenas de diagnósticos ou situações extremas. Muitas vezes, sinais como isolamento, irritabilidade, perda de interesse, alterações no sono, cansaço constante e sensação de desamparo indicam que alguém precisa de apoio.


Quando esses sinais são percebidos cedo, a pessoa pode ser acolhida antes que o quadro se agrave. Por isso, informação de qualidade e orientação sobre onde buscar ajuda são partes centrais da prevenção.


A Rede de Atenção Psicossocial atua durante todo o ano


A Rede de Atenção Psicossocial, conhecida como RAPS, reúne serviços e estratégias voltados ao cuidado de pessoas em sofrimento psíquico, com transtornos mentais ou necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. A rede busca oferecer atendimento de forma articulada, respeitando a singularidade de cada pessoa e o território onde ela vive.


No contexto municipal, a RAPS costuma envolver diferentes pontos de atenção, como unidades de saúde, ambulatórios, serviços especializados, equipes multiprofissionais e ações comunitárias. Cada caso deve ser avaliado conforme sua necessidade, urgência e complexidade.


Durante o encontro com os servidores, também foram apresentadas orientações sobre onde buscar ajuda e informações sobre os serviços de saúde mental disponíveis no município. Os participantes receberam informações sobre as possibilidades de cuidado oferecidas pela gestão aos seus servidores.


Esse ponto é essencial. Muitas pessoas até reconhecem que precisam de apoio, mas não sabem por onde começar. Outras evitam procurar atendimento por medo de julgamento ou por acreditarem que precisam “dar conta” sozinhas. Quando o município informa com clareza como acessar a rede, o caminho até o cuidado se torna mais possível.


A articulação entre informação, acolhimento e serviço disponível fortalece a prevenção. Uma roda de conversa não substitui acompanhamento profissional quando ele é necessário, mas pode ser o primeiro passo para que alguém se sinta encorajado a procurar ajuda.


Também pode ajudar colegas e equipes a identificarem situações de risco. Em ambientes de trabalho, é comum que mudanças de comportamento sejam percebidas por quem convive diariamente com a pessoa. Quando há informação, a resposta tende a ser mais cuidadosa, menos julgadora e mais orientada ao encaminhamento adequado.


Cuidar da saúde mental dos servidores melhora também o atendimento à comunidade


O cuidado com os servidores tem impacto direto no funcionamento dos serviços públicos. Profissionais acolhidos, orientados e apoiados tendem a enfrentar melhor os desafios da rotina e a buscar ajuda quando necessário.


Isso não significa ignorar problemas estruturais ou responsabilizar apenas o indivíduo por seu sofrimento. A saúde mental no trabalho envolve vários fatores, como organização das demandas, clima de equipe, condições de trabalho, reconhecimento, pausas, comunicação e acesso a suporte. Ainda assim, criar espaços de escuta é uma medida concreta e necessária.


No caso dos servidores que lidam diariamente com as necessidades da população, esse cuidado ganha uma dimensão ainda maior. Quem atende, orienta, escuta, encaminha e acompanha também carrega tensões. Muitas vezes, essas tensões se acumulam de forma silenciosa.


A roda de conversa realizada no Paço Municipal ajudou a colocar esse tema em evidência. Ao reunir servidores em um momento de acolhimento, a Secretaria de Saúde indicou que o cuidado institucional também deve olhar para dentro.


“A iniciativa busca fortalecer a rede de cuidado, ampliar o acesso à informação e, principalmente, lembrar que aqueles que cuidam também precisam ser cuidados”, explicou Cristina Lopes.

A frase resume o sentido da ação. Cuidar de quem cuida não é um gesto simbólico isolado. É uma forma de reconhecer que o serviço público é feito por pessoas, com histórias, limites, emoções e necessidades.


Quando esse reconhecimento existe, a gestão pode avançar em políticas permanentes de promoção da saúde mental. Isso pode incluir rodas de conversa, capacitações, fluxos de acolhimento, campanhas educativas, apoio multiprofissional e divulgação constante dos serviços disponíveis.


Informação, acolhimento e procura por ajuda salvam caminhos


Uma das principais mensagens do encontro foi a necessidade de buscar ajuda diante de sinais de sofrimento. A saúde mental deve ser tratada com a mesma seriedade dada à saúde física. Procurar apoio profissional não deve ser visto como último recurso, mas como parte do cuidado.


Em situações de sofrimento emocional intenso, pensamentos de autolesão ou risco imediato, é fundamental buscar atendimento de urgência ou acionar serviços de emergência disponíveis. Também é possível procurar unidades de saúde e serviços da rede municipal para receber orientação sobre o encaminhamento mais adequado.


No Brasil, o Centro de Valorização da Vida, o CVV, oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188. O serviço funciona como canal de escuta e pode ser uma alternativa importante para quem precisa conversar. Ainda assim, ele não substitui atendimento de saúde quando há urgência ou necessidade de acompanhamento clínico.


As informações deste texto têm caráter educativo e não substituem avaliação de profissionais de saúde. Cada pessoa deve ser acolhida de acordo com sua realidade, seus sintomas e sua rede de apoio.


A experiência realizada com os servidores municipais mostra que ações simples, quando bem conduzidas, podem abrir conversas profundas. Um café da manhã, música ao vivo e uma roda de conversa podem parecer pequenos gestos, mas criam um ambiente onde temas difíceis encontram espaço para serem ditos.


Esse espaço importa. Ele ajuda a reduzir o silêncio, aproxima as pessoas dos serviços e reforça a ideia de que pedir ajuda é um ato de cuidado.


A saúde mental precisa estar presente nas campanhas, nas equipes, nos serviços e nas conversas cotidianas. O Setembro Amarelo amplia essa mensagem, mas o compromisso deve permanecer durante todo o ano: fortalecer a rede de cuidado, informar com clareza e lembrar, sempre, que quem cuida também precisa ser cuidado.


 
 
 

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