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TSE define tempo de TV dos presidenciáveis e ordem do horário eleitoral

21 de ago.
7 min de leitura

A campanha presidencial ganhou nesta quinta-feira (20) um dos seus capítulos mais visíveis: a divisão do tempo de rádio e TV entre os candidatos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu quanto cada candidatura à Presidência terá no horário eleitoral gratuito, que começa em 28 de agosto, em rede nacional.


A audiência também estabeleceu a ordem de exibição das propagandas no primeiro dia. Pelo sorteio, a primeira peça a ir ao ar será a de Augusto Cury, do Avante. Depois aparecem Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro e Lula, nessa sequência. Nos dias seguintes, a ordem muda conforme as regras de alternância do horário eleitoral.


A definição importa porque o tempo de propaganda no rádio e na televisão ainda é uma das principais vitrines das campanhas nacionais. Mesmo com o peso das redes sociais, o horário eleitoral gratuito chega a eleitores que talvez não acompanhem a disputa diariamente, organiza a apresentação dos candidatos e dá espaço para programas, propostas, jingles, alianças e ataques políticos.


Quanto tempo cada candidato terá no horário eleitoral


O tempo de cada candidatura à Presidência não é igual para todos. A divisão segue critérios previstos na legislação eleitoral e considera, principalmente, a representação dos partidos na Câmara dos Deputados. Quando há coligação, também entram na conta os partidos que fazem parte dela e que cumprem os requisitos legais.


Com base na definição do TSE, os tempos ficaram assim:


Candidato

Partido ou coligação

Tempo no horário eleitoral

Lula

Coligação Brasil Pronto para Mais

5 minutos e 31 segundos

Flávio Bolsonaro

PL

4 minutos e 20 segundos

Ronaldo Caiado

PSD

2 minutos e 2 segundos

Augusto Cury

Avante

35 segundos

Renan Santos, Zema e demais candidatos

Missã, Novo e outros

Sem tempo em rede


A maior fatia ficou com Lula, pela Coligação Brasil Pronto para Mais. Além do PT, o grupo reúne PCdoB, PV, PDT, PSB, PSOL e Rede. O tempo definido para a coligação será de 5 minutos e 31 segundos.


Em seguida aparece Flávio Bolsonaro, do PL, com 4 minutos e 20 segundos. Ronaldo Caiado, do PSD, terá 2 minutos e 2 segundos. Augusto Cury, do Avante, terá 35 segundos.


Os demais candidatos citados, como Renan Santos, Zema, do Novo, e outros nomes na disputa, não terão inserção no horário eleitoral gratuito em rede nacional, segundo a divisão anunciada.


A regra faz com que o tempo de TV seja um reflexo da força partidária no Congresso, e não apenas do número de candidatos registrados na disputa presidencial.

Por que os tempos são tão diferentes


A diferença entre os tempos de cada candidato costuma chamar atenção. Em uma eleição presidencial, todos disputam o mesmo cargo, mas nem todos chegam ao rádio e à TV com o mesmo espaço. Isso acontece porque o horário eleitoral gratuito não é distribuído de forma simplesmente igualitária.


A lógica usada pela Justiça Eleitoral combina critérios legais e representação política. Em linhas gerais, partidos com bancadas maiores na Câmara dos Deputados tendem a garantir mais tempo. No caso de coligações, a soma dos partidos também pesa, desde que as legendas se enquadrem nas regras da legislação eleitoral.


Na prática, uma candidatura apoiada por uma coligação maior pode ter vários minutos por programa. Já candidaturas de partidos menores, sem bancada suficiente ou sem acesso pelos critérios definidos, podem não ter tempo em rede.


Essa regra cria uma diferença marcante na comunicação das campanhas. Com mais de cinco minutos, uma candidatura consegue apresentar propostas com alguma abertura, explorar biografia, mostrar aliados e trabalhar uma narrativa de campanha. Com pouco mais de quatro minutos, também há espaço para desenvolver uma mensagem relativamente completa.


Já um bloco de pouco mais de dois minutos exige escolhas mais duras. A campanha precisa decidir se dará prioridade a imagem pessoal, propostas, comparação com adversários ou temas específicos. Quando o tempo cai para segundos, como no caso de Augusto Cury, a propaganda precisa ser ainda mais direta. Normalmente, esse formato favorece frases curtas, identificação rápida do candidato e uma mensagem central.


Candidatos sem tempo no horário eleitoral em rede enfrentam outro tipo de desafio. Eles precisam apostar com mais força em debates, entrevistas, agenda de rua, cobertura jornalística, redes sociais, material de campanha e mobilização partidária. O fato de não aparecerem na propaganda gratuita de rádio e TV não significa que estejam fora da eleição, mas reduz uma das formas mais tradicionais de alcançar o eleitorado em escala nacional.


A ordem de exibição no primeiro dia


Além da divisão do tempo, o TSE sorteou a ordem das propagandas no primeiro dia do horário eleitoral. O sorteio definiu que o Avante, partido de Augusto Cury, abrirá a propaganda presidencial.


A sequência do primeiro dia será:


  1. Augusto Cury, do Avante

  2. Ronaldo Caiado, do PSD

  3. Flávio Bolsonaro, do PL

  4. Lula, pela Coligação Brasil Pronto para Mais


Essa ordem vale para a estreia do horário eleitoral gratuito. Depois, a sequência passa a ser alterada conforme as regras do próprio modelo de exibição.


A alternância evita que uma candidatura fique sempre na mesma posição. Abrir o programa pode ter vantagem em alguns momentos, porque pega parte do público atento desde o início. Encerrar também pode ser considerado estratégico, já que a última mensagem pode ficar mais fresca na memória de quem assiste ou ouve até o fim. A rotação busca equilibrar esses efeitos ao longo da campanha.


Mesmo assim, o primeiro dia tem peso simbólico. É quando o eleitor costuma avaliar a linguagem inicial de cada campanha. Algumas equipes escolhem usar a estreia para apresentar o candidato. Outras preferem marcar posição política logo de saída. Também há campanhas que usam o primeiro programa para mostrar apoios, reforçar alianças ou tentar criar um contraste imediato com os adversários.


No caso de Augusto Cury, a posição de abertura no primeiro dia convive com uma limitação clara: o tempo disponível é de apenas 35 segundos. Isso torna a primeira aparição breve, embora visível. Para Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro e Lula, a ordem sorteada permite uma entrada gradual até o encerramento com a coligação que terá o maior tempo.


O que muda para a estratégia das campanhas


O início do horário eleitoral gratuito costuma marcar uma nova fase da campanha. Até esse momento, boa parte da disputa se concentra em eventos, entrevistas, articulações partidárias e comunicação digital. Com a propaganda de rádio e TV, as campanhas passam a falar em bloco para um público mais amplo.


A diferença de tempo influencia diretamente o estilo de cada programa.


Campanhas com mais minutos conseguem variar formatos. Podem alternar falas do candidato, depoimentos de apoiadores, apresentação de propostas, imagens de agenda e comparações com gestões anteriores. Também têm mais espaço para responder críticas ou tentar enquadrar o debate eleitoral.


Campanhas com menos tempo precisam reduzir a mensagem ao essencial. Cada segundo conta. Normalmente, isso exige repetição, frases de fácil memorização e foco em poucos temas. Uma campanha de 35 segundos, por exemplo, dificilmente consegue apresentar um plano amplo de governo. O mais provável é que tente fixar nome, número, identidade e uma ideia central.


Para candidatos sem tempo em rede, a ausência no horário eleitoral gratuito pode ampliar a dependência de outros canais. Debates televisivos ganham mais relevância, porque colocam candidatos com pouco espaço formal ao lado de nomes com maior estrutura. Entrevistas e sabatinas também podem ajudar a compensar parte dessa diferença, desde que tenham alcance suficiente.


As redes sociais continuam importantes, mas funcionam de outra forma. O eleitor precisa encontrar, receber ou compartilhar aquele conteúdo. No rádio e na TV, a propaganda entra em uma grade já estabelecida, com alcance nacional e regras próprias. Por isso, mesmo em uma campanha cada vez mais digital, a distribuição do tempo de TV ainda mexe com o ritmo da eleição.


Como o eleitor deve ler essa divisão


O tempo de propaganda não mede, por si só, a força eleitoral de um candidato nas urnas. Ele mostra a força partidária ou de coligação dentro das regras do horário eleitoral. Uma candidatura pode ter muito tempo e não crescer. Outra pode ter pouco tempo e ganhar visibilidade por debates, redes sociais ou fatos da campanha.


Ainda assim, a divisão ajuda a entender a estrutura política por trás de cada nome. Coligações maiores costumam indicar mais partidos envolvidos, mais tempo de exposição e mais capacidade de montar programas longos. Partidos isolados ou menores têm menos espaço, mesmo quando lançam candidatos conhecidos.


Para o eleitor, a recomendação mais prática é não tratar o horário eleitoral como única fonte de informação. A propaganda tem função política clara: convencer. Ela seleciona dados, escolhe imagens favoráveis, simplifica propostas e tenta criar identificação emocional. Isso faz parte da disputa democrática, mas exige atenção.


Alguns pontos ajudam a avaliar melhor cada programa:


  • Verificar se as propostas apresentadas têm alguma explicação sobre execução.

  • Comparar promessas com o histórico político do candidato e do partido.

  • Observar se o programa responde a temas nacionais relevantes.

  • Diferenciar crítica política de desinformação.

  • Acompanhar debates, entrevistas e informações oficiais da Justiça Eleitoral.


O horário eleitoral pode ser útil quando ajuda a conhecer candidaturas, comparar prioridades e identificar alianças. Ele se torna insuficiente quando é visto como retrato completo da campanha.


Datas e próximos passos


Com a decisão do TSE, as campanhas já sabem quanto tempo terão para planejar suas inserções em rádio e televisão. O horário eleitoral gratuito começa em 28 de agosto, e a primeira exibição seguirá a ordem sorteada na audiência.


A partir daí, a propaganda presidencial em rede nacional entrará na rotina da campanha. A ordem de apresentação será alternada nos dias seguintes, enquanto os tempos definidos seguem a divisão calculada pela Justiça Eleitoral.


A definição do TSE também deve orientar a produção final dos programas. Campanhas com mais tempo podem preparar peças mais longas e segmentadas. Campanhas com menos tempo precisam ajustar roteiro, ritmo e mensagem. Candidaturas sem tempo em rede terão de reforçar outras frentes de exposição.


O quadro definido é claro: Lula terá o maior espaço, seguido por Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Renan Santos, Zema e os demais candidatos citados não terão tempo na propaganda eleitoral gratuita em rede nacional.


Mais do que uma formalidade, a divisão do tempo ajuda a desenhar a campanha que chegará ao eleitor pela TV e pelo rádio. A partir de 28 de agosto, cada segundo será usado para tentar transformar exposição em voto.


 
 
 

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