Mauro Mendes e Pivetta cumprem 28 promessas e deixam BRT fora da meta
- 23 de jul.
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A três anos e meio do início do mandato, o balanço das promessas de campanha em Mato Grosso mostra um governo com maioria dos compromissos entregues, mas ainda com pendências relevantes. Entre elas, está a meta de implantação do BRT, que não foi cumprida até o recorte mais recente do levantamento.
Segundo o g1, o ex-governador Mauro Mendes, do União Brasil, e o atual governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, cumpriram 28 das 43 promessas assumidas na campanha à reeleição em 2022. O período analisado vai de 1º de janeiro de 2023 a 30 de junho de 2026, o equivalente a três anos e meio de mandato.
Mendes renunciou ao cargo em março para tentar uma vaga no Senado. Com isso, Pivetta assumiu o governo de Mato Grosso e passou a responder pela continuidade da gestão, com apoio do ex-governador para buscar um novo mandato.
O balanço geral das promessas mostra entregas e pendências
O levantamento faz parte do projeto Promessas dos Políticos, do g1, que acompanha compromissos assumidos por candidatos a governos estaduais, prefeituras e Presidência da República. A iniciativa existe desde 2015 e usa uma metodologia própria de checagem feita por jornalistas em todo o país.
No caso de Mato Grosso, o quadro ficou assim:
Situação das promessas | Quantidade |
Cumpridas integralmente | 28 |
Cumpridas em parte | 12 |
Não cumpridas | 3 |
Total analisado | 43 |
O número indica que a maior parte dos compromissos monitorados teve entrega integral até junho de 2026. Ainda assim, 15 promessas seguem com algum tipo de pendência, seja porque foram realizadas apenas em parte, seja porque não saíram do papel no prazo analisado.
Esse tipo de balanço importa porque separa discurso de campanha de entrega concreta. A promessa feita em período eleitoral costuma vir em forma de prioridade. O acompanhamento mostra o que virou política pública, obra, serviço ou expansão real, e o que permaneceu incompleto.
Saúde foi uma das áreas com entregas mais visíveis
Entre os compromissos cumpridos, a saúde aparece com entregas importantes. Uma delas foi a reforma e ampliação da Escola de Saúde Pública, unidade administrada pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso. Segundo o levantamento, a nova estrutura foi entregue em março de 2026, o que levou a promessa a ser considerada cumprida.
Outra entrega destacada foi a ampliação do programa de cirurgias eletivas. O governo avançou nessa frente por meio da segunda etapa do Programa Fila Zero na Cirurgia.
Desde a implantação, em 2023, até 16 de junho de 2026, o Fila Zero realizou mais de 700 mil procedimentos eletivos totais. A diferença entre os primeiros semestres de 2025 e 2026 também chama atenção:
Período | Procedimentos realizados |
Primeiro semestre de 2025 | 55.614 |
Até 30 de maio de 2026 | 226.421 |
O aumento foi superior a 300%, com 170.807 atendimentos a mais em relação ao mesmo período do ano anterior. Pela metodologia do levantamento, essa expansão levou a promessa de ampliar o programa de cirurgias eletivas a ser classificada como cumprida.
Também entrou na lista de entregas a sede do Centro Logístico de Abastecimento e Distribuição, o CLAD/MT. A nova estrutura foi inaugurada em março de 2026, no bairro Carumbé, em Cuiabá.
Leitos hospitalares cresceram, mas os números variam conforme a base
A ampliação da oferta de leitos hospitalares públicos também foi apontada no levantamento. A consulta ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde indicou que Mato Grosso tinha 2.978 leitos no SUS em junho de 2026. Em dezembro de 2022, eram 2.431 leitos.
Isso representa um acréscimo de 547 leitos na comparação entre o fim de 2022 e junho de 2026, segundo essa base.
O governo estadual, por sua vez, apresentou outra comparação. De acordo com a gestão, entre 2020 e 2026, o número de leitos passou de 1.238 para 2.449.
As duas informações mostram crescimento, mas partem de bases e recortes diferentes. Por isso, a leitura mais segura é observar o critério usado em cada comparação. O dado do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde considera a situação registrada no SUS em datas específicas. Já o dado informado pelo governo usa uma série iniciada em 2020.
Ensino integral avançou, mas o BRT ficou fora da meta
O balanço também aponta avanço na ampliação do ensino integral em Mato Grosso, uma das bandeiras associadas à gestão. A expansão dessa modalidade entrou entre os compromissos acompanhados pelo g1 no pacote de promessas da campanha de 2022.
Na prática, o ensino integral costuma ser medido pela ampliação de escolas, vagas e adesão de unidades ao modelo. No recorte apresentado, a promessa aparece entre os pontos de entrega da administração, embora o levantamento geral ainda mantenha parte dos compromissos da gestão em situação parcial.
O contraste aparece no transporte. A meta de implantação do BRT não foi cumprida até 30 de junho de 2026. Esse ponto pesa porque a mobilidade urbana é uma das áreas em que o cidadão percebe a promessa de forma direta, na obra pronta, no trajeto mais rápido e na integração do sistema.
O fato de a promessa não ter sido cumprida não apaga as entregas em outras áreas, mas limita o discurso de cumprimento amplo da agenda de campanha. Em balanços desse tipo, obras de transporte costumam ter grande visibilidade justamente porque envolvem prazo, impacto no trânsito, custos e expectativa diária da população.
O que ainda precisa ser observado até o fim do mandato
O levantamento será atualizado ao fim do mandato, em dezembro. Até lá, as promessas classificadas como cumpridas em parte ainda podem mudar de status, caso o governo conclua etapas pendentes. As promessas não cumpridas também podem ter novos desdobramentos, embora o prazo político esteja mais curto.
O balanço atual deixa uma leitura clara: Mauro Mendes e Otaviano Pivetta chegam aos três anos e meio de gestão com maioria das promessas cumpridas, especialmente em áreas como saúde, logística pública e ensino integral. Ao mesmo tempo, o governo ainda carrega pendências importantes, com destaque para o BRT.
A principal conclusão é simples: cumprir 28 de 43 promessas mostra capacidade de entrega, mas não encerra a cobrança. Para o eleitor, o número importa. Mas o peso de cada promessa também importa, principalmente quando ela afeta serviços básicos, deslocamento diário e acesso à saúde.




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