PSOL deve lançar 3 candidatas trans em MT, com 2 de Rondonópolis
- 26 de jul.
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Via: Atribuna Mt
O PSOL de Mato Grosso deve chegar às eleições de 2026 com uma formação inédita em suas chapas: três mulheres trans como pré-candidatas às câmaras legislativas estadual e federal. Duas delas são de Rondonópolis, o que coloca o município no centro de uma movimentação política ligada à representatividade, aos direitos humanos e à pauta LGBTQIA+ no estado.
Segundo a presidente do PSOL em Rondonópolis, Janaina Lima, esta deve ser a primeira vez que o partido reúne três mulheres trans em seus quadros como pré-candidatas em Mato Grosso. Os nomes apontados são Adriana Liário e Felícia Dias, ambas de Rondonópolis, para a disputa à Câmara Federal, além de Kaká Garcia, de Várzea Grande, cotada para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa.
Ainda se trata de fase de pré-candidatura, etapa anterior às definições formais que passam pelas convenções partidárias. Mesmo assim, a articulação já sinaliza como o partido pretende se apresentar ao eleitorado em 2026: com foco em diversidade, participação popular e defesa de grupos historicamente sub-representados na política institucional.
Rondonópolis ganha destaque na chapa federal do PSOL
Rondonópolis aparece com peso na composição planejada pelo PSOL. Das três pré-candidatas trans citadas, duas vivem na cidade e devem disputar vagas de deputada federal. A presença de Adriana Liário e Felícia Dias na chapa reforça a tentativa do partido de ampliar o debate sobre inclusão a partir de lideranças locais.
A escolha também chama atenção porque a política mato-grossense ainda conta com baixa presença de pessoas trans em disputas majoritárias ou proporcionais. Quando essa participação acontece, ela costuma levar para o centro da campanha temas que muitas vezes ficam restritos a movimentos sociais, conselhos municipais e ações comunitárias.
No caso de Rondonópolis, as duas trajetórias partem de lugares diferentes. Adriana já tem experiência eleitoral e atuação consolidada em movimentos e conselhos. Felícia entra como estreante, com uma história ligada ao trabalho, à vida cotidiana na cidade e ao empreendedorismo popular.
Essa combinação pode ampliar o alcance da chapa. De um lado, há uma candidatura com histórico de militância e presença em espaços institucionais. De outro, uma pré-candidata que representa uma parcela da população que constrói sua vida longe dos gabinetes, mas sente diretamente os efeitos das políticas públicas.
Adriana Liário volta ao cenário eleitoral com histórico de militância
Adriana Liário não será estreante em uma campanha eleitoral. Em 2018, ela concorreu ao cargo de deputada federal pelo próprio PSOL, mas não foi eleita. Mesmo sem mandato, manteve uma atuação reconhecida em Rondonópolis, especialmente na defesa dos direitos da população LGBTQIA+.
Atualmente cursando Direito, Adriana já presidiu o Grupo de Apoio a Travestis e Transexuais de Rondonópolis, o GATTRS. Também integra o Grupo de Combate a Crimes de Homofobia e participa de diferentes conselhos municipais, entre eles os de Saúde, Segurança Pública da Região Salmen e Igualdade Racial.
Essa presença em conselhos mostra uma atuação voltada para políticas públicas em áreas sensíveis. Saúde, segurança e igualdade racial são temas que se conectam diretamente com a vida da população trans, mas não apenas dela. Falam também sobre acesso a serviços, proteção contra violência, respeito ao nome social e atendimento digno.
Na disputa de 2018, Adriana defendeu pautas como:
direitos da população LGBTQIA+;
combate à violência contra pessoas trans;
acesso à saúde;
garantia do uso do nome social;
participação social em espaços de decisão.
Esses pontos devem continuar no centro de sua atuação política. A diferença, em 2026, é o contexto de uma chapa que pode reunir mais de uma mulher trans, dando maior visibilidade coletiva a essas agendas.
Felícia Dias estreia como pré-candidata à Câmara Federal
Também moradora de Rondonópolis, Felícia Dias deve disputar uma vaga de deputada federal pelo PSOL. Ela será estreante em eleições, o que pode tornar sua pré-candidatura uma novidade para parte do eleitorado local.
Felícia é cozinheira, proprietária de uma marmitaria e vive há 26 anos em Rondonópolis. Sua entrada na política eleitoral traz uma referência diferente da militância tradicional. Ela vem de uma trajetória ligada ao trabalho autônomo, à rotina de atendimento ao público e à construção de renda em um setor comum na vida de muitas famílias brasileiras.
Esse perfil pode aproximar a campanha de debates sobre economia popular, dignidade no trabalho, empreendedorismo de pequeno porte e acesso a direitos. Para mulheres trans, esses temas também tocam em uma questão central: a dificuldade histórica de inserção no mercado formal, muitas vezes agravada por preconceito, violência e exclusão familiar.
A presença de Felícia na chapa federal pode ajudar o PSOL a dialogar com pessoas que não se veem representadas por candidaturas tradicionais. Sua história em Rondonópolis dá um ponto de partida concreto para esse diálogo, já que ela vive e trabalha na cidade há mais de duas décadas.
Kaká Garcia deve disputar vaga na Assembleia Legislativa
A terceira pré-candidata citada pelo PSOL é Kaká Garcia, moradora de Várzea Grande. Ela deve concorrer ao cargo de deputada estadual, levando a presença trans também para a disputa pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Kaká Garcia tem 45 anos, é microempresária, líder comunitária e sacerdotisa. Seu nome é ligado à defesa da inclusão social, da diversidade e do fortalecimento das comunidades. Ela também atua em causas sociais e na defesa dos direitos humanos e da população LGBTQIA+.
Sua pré-candidatura tem um recorte estadual. Enquanto Adriana e Felícia miram a Câmara Federal, Kaká entra na disputa por um espaço legislativo que trata de temas próximos da vida dos municípios mato-grossenses, como orçamento estadual, políticas de assistência, educação, segurança, saúde e direitos sociais.
A atuação comunitária pode ser um dos pontos fortes de sua trajetória. Lideranças de base costumam construir reconhecimento por presença direta nos territórios, em redes de apoio e em ações sociais. Para o PSOL, esse tipo de perfil ajuda a conectar a pauta da diversidade com problemas concretos enfrentados por comunidades em diferentes regiões do estado.
Representatividade trans entra no centro do debate eleitoral
A possível presença de três mulheres trans nas chapas do PSOL em Mato Grosso tem peso simbólico e político. Não se trata apenas de ocupar espaço em uma eleição. Trata-se de disputar o direito de formular leis, fiscalizar governos e participar de decisões que afetam a população.
Pessoas trans ainda enfrentam barreiras fortes na política. Muitas vezes, chegam às urnas em condições desiguais, com menos acesso a financiamento, estrutura partidária, visibilidade e segurança. Por isso, quando um partido anuncia pré-candidaturas trans, a medida também funciona como um teste de compromisso interno. A legenda precisará garantir suporte real para que essas candidaturas não fiquem apenas no discurso.
No caso do PSOL em Mato Grosso, a formação com Adriana Liário, Felícia Dias e Kaká Garcia aponta para uma campanha marcada por direitos humanos, diversidade e participação social. Também reforça a presença de Rondonópolis em um debate estadual e federal sobre quem ocupa a política.
As eleições de 2026 ainda terão etapas importantes até a confirmação oficial das candidaturas. As convenções partidárias definirão chapas, alianças e nomes finais. Até lá, as pré-candidaturas servem para apresentar trajetórias, organizar bases e testar a recepção do eleitorado.
Se confirmadas, as três mulheres trans levarão para a disputa experiências distintas, mas conectadas por uma pauta comum: ampliar a presença de grupos historicamente excluídos dos espaços de poder. Para Mato Grosso, e especialmente para Rondonópolis, esse movimento já marca um capítulo relevante no caminho até 2026.




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